Proveniência e paleocorrentes de conglomerados e arenitos do Grupo Santa Bárbara (Ediacarano) no Vale do Piquiri, Sub-bacia Camaquã Oriental, RS: implicações tectônicas release_bheem2nq2naqtdyjnhscmgz73u

by Gelson Luís Fambrini, Renato Paes de Almeida, Liliane Janikian, Claudio Riccomini

Published in Geologia USP Série Científica by Universidade de Sao Paulo Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBiUSP.

2018   Volume 18, p149

Abstract

A Sub-bacia Camaquã Oriental compreende exposições da borda leste da Bacia do Camaquã, como o Vale do Piquiri, pertencentes ao Grupo Santa Bárbara (Ediacarano). Estudos estratigráficos de fácies, sistemas deposicionais, proveniência e paleocorrentes conduziram à subdivisão do Grupo Santa Bárbara na Sub-bacia Camaquã Oriental em duas unidades: (i) Formação Passo da Capela, formada por turbiditos de leques subaquosos; e (ii) Formação Rincão dos Mouras, constituída por arenitos e conglomerados de leques aluviais e sistemas fluviais entrelaçados. Este artigo propõe formular um modelo de evolução de altos estruturais durante o preenchimento de uma bacia rifte. Conglomerados de leques subaquosos da Formação Passo da Capela apresentam composição do arcabouço derivada da própria bacia (arenitos), indicando autofagia, além de rochas do embasamento (quartzitos, xistos, metarriolitos). Análises de paleocorrentes indicam dispersão dos sedimentos segundo NNE, compatível com litotipos do Complexo Porongos (quartzitos, metarriolitos, milonitos). A norte, análises de proveniência dos conglomerados indicam derivação principalmente do Sienito Piquiri, e também de outras litologias. Esse fato sugere que a proveniência reflete contribuição do embasamento adjacente (clastos do Sienito Piquiri), com pouco ou nenhum transporte. Conglomerados aluviais da Formação Rincão dos Mouras contam com proveniência diversificada. Na base ocorrem clastos metamórficos do Complexo Porongos (metarriolitos) e da própria bacia (arenitos). Análises de proveniência sugerem denudação do Complexo Porongos (altos de embasamento) e da bacia. A porção intermediária apresenta clastos de granitos róseos/muscovita leucogranitos correlacionáveis ao Batólito Pelotas, e litologias do Complexo Porongos. Sienitos e traquitos aparecem em pequena proporção, assim como arenitos. Análises de proveniência, aliadas às de paleocorrentes, indicam que áreas a leste estavam sendo soerguidas e erodidas, como Batólito Pelotas e Complexo Porongos, comportando-se como altos de embasamento fornecedores de sedimentos para a bacia. No topo predominam fragmentos do Complexo Porongos (mármores). Análises de paleocorrentes realizadas na Formação Rincão dos Mouras sugerem controle tectônico importante durante o preenchimento da unidade, com mudanças de fontes de detritos para a bacia e soerguimento de altos internos. As análises de proveniência levadas a efeito em todas as unidades (i) indicaram sempre fonte adjacente aos depósitos sedimentares; (ii) demonstraram as fontes de detritos; e (iii) auxiliaram na diferenciação entre as formações Passo da Capela e Rincão dos Mouras. A ocorrência na Formação Rincão dos Mouras de fragmentos de mármore e o aumento considerável da proporção de clastos do Granito Encruzilhada do Sul, situado a ENE da região do Vale do Piquiri, foi mais um dos critérios utilizados na separação das unidades, sobretudo quando conglomerados estratificados de ambas se acham contíguos.
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Type  article-journal
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Date   2018-03-01
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ISSN-L:  1519-874X
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